INFÂNCIA

 

No momento que temos que   escolher  a escola para nossos filhos surgem muitas dificuldades. Precisamos fazer várias considerações. Sabemos que nosso sistema educacional pretende garantir e promover uma educação democrática para todos em todos os sentidos. Porém o fato de estar submetida ao sistema capitalista, a Educação não e percebida na realidade como uma educação igual para todos. Neste organismo educacional surgem infinitas considerações sobre a qualidade da Escola que desejamos para nossos filhos.

Nossas angústias e aflições são pertinentes. Porém necessariamente temos que decidir em favor dos nossos filhos. Os meios de comunicação elaboram várias e diferentes cartilhas, roteiros, critérios que envolvem o espaço físico, as orientações pedagógicas, as responsabilidades profissionais e sociais da instituição de ensino. Todos os aspectos precisam ser observados. Considerando as questões contraditórias que existem em nosso sistema educacional, acredito que a escolha da escola precisa atentar o quanto as instituições, valorizam, defendem e praticam o cuidado e o compromisso com o humano. O quanto respeitam as Leis de Diretrizes e Base Nacional. Independente da proposta pedagógica escolhida pela instituição.

Afinal sabemos que as instituições de ensino existem para nos ajudar a sermos melhores seres humanos. Somos seres sociais e aprendemos a ser melhor, na interação com os outros. Somos seres interdependentes. Nossa escolha é mais angustiante quando se trata de nosso primeiro filho, já na primeira infância. Respeito às dores deste momento. São justas. Trago algumas contribuições de pensadores e pedagogos que pensaram sobre a educação infantil. Especialmente o papel que a brincadeira e o brincar ocupam no desenvolvimento da criança.  É importante termos clareza que somos  seres dotados de desejos, vontades e sentimentos próprios que começam a se manifestar desde o nosso nascimento. No período que compreendemos como infância, acontece o processo de desenvolvimento social e afetivos nesse momento são importantes às interações que propõem vivencia de afetividades.

A família, os professores e grupos sociais que a criança esta inserida, desempenham um papel importante na construção da afetividade. Trata-se de perceber que as pessoas que assumem estes papéis precisam considerar que são pessoas mais experientes coordenam e proporcionam o processo de aprendizagem do desenvolvimento social e afetivo. Autores como Wallon, Vygotsky e Piaget, ao pensar sobre a infância trazem contribuições, para fundamentar a importância dos aspectos sociais e afetivos nos processos para o desenvolvimento da cognição. Concordo que o aprender com afetividade é uma pratica mais segura e confortante. Por Lúcia di Fátima.

Pensamos sobre por que as crianças brincam? Existem diferentes referencias para isto. Historicamente a criança nem sempre brincou. A criança fazia as mesmas atividades de uma pessoa adulta. Para o Ocidente considerar a fase da infância só foi possível quando percebemos que somos seres historicamente construídos. Na sociedade ocidental a concepção da infância se consolidou a partir do século XVII. Os estudos sobre a infância é algo que caminha para pesquisas cientificas em várias áreas. É um aspecto novo mesmo na sociedade moderna. As concepções sobre a infância são diversas. Autores registraram em seus estudos informações sobre a Infância ao longo da história do homem.

A representação da infância na história da sociedade

Segundo Philippe Ariès, em História social da criança e família (1981), o termo “infância” nem sempre teve a acepção da atualidade. Para ele, o mundo medieval ignorava a infância, “não percebia o período transitório entre a infância e a idade adulta.”

Somente a partir do século XVII, houve uma evolução, um novo hábito da burguesia, agindo em maior acordo com a acepção mais moderna do termo. Havia antes uma indiferença quanto aos fatores biológicos, pois a ideia de infância estava mais ligada à de dependência, um “petit garçon”, por exemplo, não era necessariamente uma criança, poderia ser um serviçal.

Philippe Ariès

 O pesquisador francês, tem contribuído com seu olhar sobre a infância, em sua obra História Social da Criança e da Família, publicada em 1960, vai apontar que o conceito ou a ideia, que se tem da infância foi sendo historicamente construído e que a criança, por muito tempo, não foi vista como um ser em desenvolvimento, com características e necessidades próprias, e sim como um adulto em miniatura. A história da criança carece de estudos sobre a forma que a entendemos e nos relacionamos com ela.

Philippe Ariès, aponta de que o sentimento da infância teria surgido apenas na Modernidade, e dos apontamentos teóricos de Moysés Kuhlmann Jr., Jacques Gélis, Daniele Alexandre-Bidón e Pierre Riché, que, em suas pesquisas, indicam a presença de uma preocupação com as crianças em períodos anteriores, como a Idade Média.

História social da criança e da família

O estudos sobre a importância e o surgimento da infância estão presentes em pesquisas no campo da História, Sociologia, Filosofia, Psicologia, Biologia, Antropologia, Arqueologia, muitos e diferentes autores contribuem com seus olhares sobre a historia da criança entre eles, FARIA (1999), DEL PRIORE (1996-1999), KISHIMOTO (1988), FREITAS (1997), BADINTER (1985), POSTMAN (1999), MONARCA (2001), ROSEMBERG (1995), GAGNEBIN (1997), ABRAMOVICH (1983), CORAZZA (2000) .

ARIÈS é considerado o precursor da história da infância seus estudos realizados por ele com variadas fontes, como a iconografia religiosa e leiga, diários de família, dossiês familiares, cartas, registros de batismo e inscrições em túmulos, que surgem os primeiros trabalhos na área de história, apontando para o lugar e a representação

da criança na sociedade dos séculos XII ao XVII. Baseando-se na história das mentalidades2, ARIÈS (1981, p. 26) afirma:

(…) é sempre, quer ou não, uma história comparativa e regressiva. Partimos necessariamente do que sabemos sobre o comportamento do homem de hoje, como de um modelo ao qual comparamos os dados do passado . com, a condição de, a seguir, considerar o modelo novo, construído com o auxílio dos dados do passado, como uma segunda origem, e descer novamente até o presente, modificando a imagem ingênua que tínhamos no início. Em seu livro “História Social da Criança e da Família”

Os textos reunidos tratam da história da infância e das políticas e concepções que influenciaram as propostas em educação infantil desenvolvidas nas escolas e instituições do país. O autor, renomado pesquisador na área, oferece um panorama importante para a compreensão das práticas vigentes e aponta caminhos para o repensar das políticas educacionais em respeito à infância. É leitura indispensável aos pesquisadores, estudantes da área e professores de educação infantil.

A história da Infância -Neste livro, animado e acessível, Colin Heywood explora as experiências de mudança e percepções da infância do início da Idade Média ao início do século XX. Heywood examina as diferentes formas em que as pessoas pensaram sobre a infância como uma fase da vida, as relações das crianças com as suas famílias e colegas, e as experiências de jovens no trabalho, na escola e nas mãos de várias instituições de solidariedade social. O objetivo é colocar a história da criança e da infância firmemente no seu contexto social e cultural, sem perder de vista as muitas experiências individuais que vêm até nós em diários, autobiografias e testemunhos orais.
Heywood argumenta que há um paradoxo cruel no coração das crianças no passado. Por um lado, as condições materiais para as crianças geralmente têm melhorado no Ocidente, no entanto tardiamente e de forma desigual, e agora eles estão mais valorizadas do que no passado. Por outro lado, o negócio de preparar para a vida adulta tornou-se mais complicado nas sociedades urbanas e industriais, como o rosto jovem de uma enorme gama de escolhas e expectativas.
A história da infância será uma introdução essencial ao tema para estudantes de história, das ciências sociais e dos estudos culturais.

Já para o inglês Colin Heywood, em seu livro Uma história da infância (2002), a infância só pode ser compreendida como uma construção social, ou seja, os termos “criança” e “infância” são compreendidos de formas diferentes, em diferentes épocas e lugares, estando condicionados a questões culturais, filosóficas, econômicas e por muitas vezes religiosas.

Crianças brincando

A infância, segundo Kuhlmann Jr.  Moysés (1998, p.16), “tem um significado genérico e, como qualquer outra fase da vida, esse significado é função das transformações sociais: toda sociedade tem seus sistemas de classes de idade e a cada uma delas é associado um sistema de status e papel”. Considerando o homem como um ser social, o conceito de infância  também é determinado socialmente, ou seja, está intimamente relacionado à maneira como o homem produz seu modo de existência e se organiza em sociedade. Nesse sentido, a infância pode ser tratada enquanto uma categoria social e historicamente construída. Afirmar que a criança é um ser social significa considerar que ela tem uma história, vive uma geografia, pertence a um segmento social determinado, estabelece relações definidas segundo o seu contexto de origem, apresenta uma linguagem decorrente dessas relações sociais e culturais estabelecidas e ocupa um espaço que não é só geográfico, mas também de valor, de acordo com Kramer (2002).

OS INTELECTUAIS NA HISTÓRIA DA INFÂNCIA

Os intelectuais na historia da infãncia. Neste livro Autores de vários países comparecem a este livro com o objetivo de trazer ao leitor momentos singulares, nos quais o trabalho intelectual transformou os temas criança e infância em “objetos de ciência” e razão de ser da constituição de muitas “obras de referência” sobre o assunto. De forma individual ou coletiva, a angulação própria que o trabalho intelectual tem oferecido à observação da criança revela-se, também, um campo no qual as representações estão em permanente conflito. Editora: Cortez Editora -Autores: Marcos Cezar de Freitas e Moysés Kuhlmann Jr.

A EDUCAÇÃO DO HOMEM SEGUNDO PLATÃO

Platão (428-348 a.C.)

Em sua obra Leis, trata das bases filosóficas e eugenésicas para a procriação de uma infância sadia, situando também na primeira infância a fase decisiva da educação moral, de acordo com Jaeger (2001). Platão dedicava atenção às questões médicas por reconhecer a importância do fator fisiológico do caráter, do ethos, passando da teoria do tratamento físico do recém-nascido à teoria do caráter. Na cultura grega, as crianças vivem sua primeira infância em família e são submetidas à autoridade do pai, seu tutor legal, que pode reconhecê-las ou abandoná-las. A educação da criança, durante os primeiros sete anos de vida, estava inteiramente a cargo da família, considerada o primeiro lugar de socialização do indivíduo, portanto, o regulador de sua identidade física, psicológica e cultural.

PLATÃO

A família também é o centro da educação romana ( 735-250 a.C ), que dava especial importância à formação do caráter moral dos indivíduos. O pai é o principal responsável pela educação dos filhos, mas a mulher exercia grande autoridade dentro da família, embora não chegasse a participar da vida pública. A criança só é vista como indivíduo quando alcança a idade adulta.

ROMA

Na opinião de Aristóteles, a criança não é capaz de usar seu raciocínio para chegar à virtude, o bem máximo do ser humano. Ele avalia a infância como um período equivalente à doença, um desastre e uma circunstância infeliz. Por isso, a infância não pode ser entregue ao acaso. Necessita de cuidados e exige educação. [...] O valor da infância se constitui, para Aristóteles, nas possibilidades que a infância oferece para serem desenvolvidas ( CONRAD, 2000, p.26-27 ).  A infância é concebida como inoperante, incapaz por ser a criança um ser que nada pode realizar, daí a necessidade de ser guiada pelo adulto.  Essa concepção da infância influenciará a ideia da educação cristã, que, na Idade Média, modificará os princípios educativos, organizando-os em sentido religioso, teológico, ancorados na fé e realizados dentro das instituições religiosas, como os mosteiros e as catedrais. Como nesta época, porém, aparece enfaticamente o pensamento do pecado herdado, ele se refletirá na visão da criança.

CRIANÇA REPRESENTADA COMO MINIATURA DO ADULTO

Para Santo Agostinho a imagem da infância é dramática: a criança é o símbolo da força do mal, um ser imperfeito que carrega em seu seio todo o peso do pecado original, e o batismo era uma tentativa de redimi-la. A influência de Santo Agostinho prolongou-se durante séculos na cultura ocidental, sendo permanentemente retomado até fins do século XVII. Porém, se por um lado a criança é vista como um ser malvado e inferior, por outro, ela é ingênua e inocente – papel simbólico exaltado com a infância de Cristo nos Evangelhos – revelando uma tensão presente, neste período, no ideário do cristianismo.

A criança representada como um adulto em miniatura

As crianças na Idade Média, portanto, têm um papel social mínimo. São, geralmente, representadas como “pequenos homens”, tanto na vestimenta quanto na participação na vida social: seus brinquedos são os mesmos dos adultos, e elas são espectadores e protagonistas das festas religiosas, sazonais e civis. Na Renascença, o pensamento humanista remete-se a uma nova e dinâmica concepção de homem, projetando na criança a argamassa do modelo a ser engendrado na maturidade: “a criança é um ser que deverá ser regulado, adestrado, normalizado para o convívio social”, segundo Boto (2002, p.17), e com tal propósito, serão delineados roteiros de ensino da polidez para uso das crianças, onde o bom comportamento poderia e deveria ser único e universalizado. A civilidade dirige-se à puerilidade e pueril seria a criança que fala correntemente, uma idade ideal para realização dos aprendizados sociais.

Madonna della Seggiola, também de Rafael. Óleo sobre madeira cortada em formato redondo (tondo). Mostra Maria abraçando Jesus sob o olhar devoto do jovem João Batista. Palácio Pitti, Florença.

Representação da crianças em diferentes períodos da sociedade.

Representação da criança em diferentes momentos da sociedade

Nesse sentido, a puerícia definiu-se como tempo do aprender. Os ideais pedagógicos reivindicados pela Renascença são transportados para os colégios jesuíticos, e o Ratio Studiorum – código de ensino jesuítico – estabelece a exposição, o exercício, a repetição e a disciplina como método pedagógico. A criança passava a ser, agora, o aluno que – reunidos em séries, por classes – recebe do educador a leitura e explicação dos textos, na atitude metódica da repetição e da imitação dos autores como estratégia para propiciar o aprendizado.

Ao discípulo (aquele que repete o que o outro diz) , cabe somente a tarefa de apreender o conhecimento transmitido e, eventualmente, dar resposta às questões apresentadas pela autoridade pedagógica (uma “pedagogia da resposta”). A “resposta” final, no entanto, é prerrogativa do mestre, adulto acabado – potência atualizada. Ele é o escultor que possui a idéia da obra. O aluno (aquele que é destituído de luz) é visto como uma folha em branco sobre a qual será impresso o  p.175 ).

A criança é capaz de aprender e tem portanto capacidade, não sendo mais, ao contrário, um ser inerte. Portanto, a Modernidade põe em relevo o papel social da educação e a família se torna um núcleo de afetos animada por um “sentimento da infância”, que resulta do reconhecimento e da valorização que as crianças passaram a ter no meio em que viviam.  A alteração nos sentimentos e nas relações frente à infância, entre os séculos XVI e XVII, retira a criança do anonimato e inicia um período de conquista para a infância: a recuperação e a divulgação de uma preocupação educativa: “o extraordinário desenvolvimento da escola no século XVII foi uma conseqüência dessa preocupação nova dos pais com a educação das crianças” (ARIÈS, 1981, p.194-195).

A criança e a família

Assim, a sociedade moderna atribui um papel central à família e à escola, na sua identidade educativa, e surgem as primeiras propostas educativas que contemplam a educação da criança de 0 a 6 anos. A história do ideário pedagógico, a partir do estudo de autores como Comenius, Rousseau, Pestalozzi e Froebel, traz uma importante contribuição à história da infância. Desenvolvendo uma concepção educativa que afirma a prioridade, a dignidade e a universalidade da educação, Jan Amos Comenius (1592 – 1670), na obra Didática Magna, fixou as bases da organização do ensino em quatro períodos sucessivos: a escola maternal para a infância, até os 6 anos de idade; a escola nacional para a puerícia, dos 6 aos 12 anos; o ginásio para a adolescência, dos 12 aos 18 anos; e a academia para a juventude, dos 18 aos 24 anos. Baseando-se num profundo ideal religioso que concebe o homem e a natureza como manifestações de um preciso desígnio divino, sua construção pedagógica tem um caráter ético-religioso, enfatizando o aprendizado de virtudes – como a prudência, temperança, fortaleza e justiça – desde a mais tenra idade, para formar o modelo universal de “homem virtuoso”.  Em seu Plano da Escola Materna, ele recomenda a todas as crianças o aprendizado inicial de metafísica, ciências físicas, óptica, astronomia, geografia, cronologia, história,  aritmética, geometria, estática, artes mecânicas, dialética, gramática, retórica, poesia, música, economia, política e moral. Depreende-se que, para Comenius, a infância deve ser disciplinada, obediente e temente a Deus, e mesmo estando sua obra fortemente vinculada ao ideário religioso, é perceptível seu trânsito entre este e a ciência moderna.

 

Jean Jacques Rousseau (1712 – 1772)

Jean Jacques Rousseau (1712 – 1772) centraliza a questão da infância na educação, considerando-a como uma idade autônoma e dotada de características específicas, diversas das que são próprias da idade adulta. Não se conhece a infância: com as falsas idéias que delas temos, quanto mais longe vamos, mais nos extraviamos. Os mais sábios apegam-se ao que importa que saibam os homens, sem considerar que as crianças se acham em estado de aprender. Eles procuram sempre o homem na criança, sem pensar no que esta é, antes de ser homem ( ROUSSEAU, 1973, p.6 ). Assim, sua obra Emílio ou Da Educação propõe-se à descoberta da condição essencial da criança, como ser em si, como conceito e como categoria analítica. Nesta obra, Rousseau elabora o princípio fundamental da “educação natural”, ou seja, a educação deve ocorrer de modo “natural”, longe das influências corruptoras do ambiente social e valorizando as necessidades espontâneas das crianças.

Jean Jacques Rousseau – Emílio

Vários preceitos higiênicos, recomenda a vida em contato com a natureza e ressalta o desenvolvimento e as especificidades da infância. O segundo livro apresenta o período de vida dos 2 aos 12 anos como sendo a idade da natureza, e trabalha o desenvolvimento físico de Emílio: o ensino se realiza através da experiência direta e a primeira educação deve ser negativa para proteger o coração do vício e do erro, pois a natureza humana é boa. O terceiro livro abrange os estudos de Emílio dos 12 aos 15 anos, onde a curiosidade estimula o ensino e o fundamento filosófico é o utilitarismo, isto é, deve-se ensinar tudo o que é útil a cada idade. No quarto livro, Emílio se torna um ser amoroso e sensível, dos 15 aos 20 anos. E o quinto livro se destina à educação de Sofia, que seria a companheira de Emílio.  A concepção de infância, em Rousseau, tem como nuclear a criança, seu tempo, seus desejos, sentimentos e a liberdade como base sob a qual deve ser educada.  Em Emílio, portanto, Rousseau demarca as etapas da vida humana para salientar que há um tempo para cada ensino, que diferentes idades são marcadas por diferentes  características, e a educação deve estar vinculada à vida da criança, em cada fase do seu desenvolvimento. Assim, Rousseau modifica a visão da infância – evidenciando que a  criança tem um mundo próprio, cabendo ao adulto compreendê-la – e elabora uma pedagogia que celebra a naturalidade e a autenticidade da criança, e sua inocência em  oposição ao mundo adulto pervertido pelas convenções sociais. Assim, até Rousseau, a criança era considerada um pequeno adulto, um adulto em miniatura, a ser tratada por padrões adultos, vestindo-se com roupas de adultos, aprendendo coisas de adultos. Rousseau foi praticamente o primeiro a considerar a criança enquanto tal, com idéias próprias, diferentes do adulto, e a partir dele intensificou-se a tendência a ver a educação a partir da criança, da sua natureza, dos seus instintos, das suas capacidades e tendências, em oposição aos padrões e normas impostos pela sociedade. Influenciado pelos princípios rousseaunianos da educação segundo a natureza, da educação familiar e da finalidade ética da educação, ainda no século XVIII, destaca-se Johann Heinrich Pestalozzi (1746 – 1827).

Johann Heinrich Pestalozzi (1746 – 1827).

Johann Heinrich Pestalozzi (1746 – 1827).

Em sua obra Como Gertrude instrui seus filho, de 1801, o ensino deve sempre partir da intuição e do contato direto com os elementos da realidade. O método intuitivo, segundo Valdemarin (2004, p.107), “pretende direcionar o desenvolvimento da criança de modo que a observação gere o raciocínio e o trabalho prepare o futuro produtor, tornando  indissociáveis pensar e construir.”

Gertrude instrui seus filho, de 1801.

Em sua obra Como Gertrude instrui seus filho, de 1801, o ensino deve sempre partir da intuição e do contato direto com os elementos da realidade. O método intuitivo, segundo Valdemarin (2004, p.107), “pretende direcionar o desenvolvimento da criança de modo que a observação gere o raciocínio e o trabalho prepare o futuro produtor, tornando indissociáveis pensar e construir.” A escola, para Pestalozzi, deveria ser uma continuação do lar para a criança: a força vital da educação estaria na bondade e no amor, tal como na família, e a educação deveria cuidar do desenvolvimento afetivo das crianças desde o nascimento.

Johann Heinrich Pestalozzi (1746 – 1827).

Dando continuidade às idéias de Rousseau e Pestalozzi, no século XIX destaca-se o educador protestante alemão Friedrich Froebel ( 1782-1852 ), reconhecido pela criação dos “jardins-de-infância” ( Kindergartens ).

Friedrich Froebel ( 1782-1852 )

Impregnado pela filosofia romântica, para Froebel, a educação deveria levar o homem à harmonia com o mundo. Como Rousseau, ele também admite que o homem, sendo uma criação de Deus, é bom por natureza. Assim, sua concepção de infância parte de um pressuposto religioso, segundo Cambi (1999).

FRIEDRICH FROEBEL

O método froebeliano para a primeira infância – muito difundido na prática escolar do século XIX – fixou a imagem da criança como idade criativa e introduziu o jogo, as brincadeiras e o canto como estímulos à aprendizagem infantil.

A Prof(a) Dr(a)
Tizuko Morchida Kishimoto -
Docente e pesquisadora da USP na área da educação infantil.Professora da graduação e pós- graduação. Coordenadora do Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos, do Museu da Educação e do Brinquedo e da Rede de Pesquisadores: Contextos Integrados de Educação Infantil.      Tizuko Morchida Kishimoto  conversa sobre a  importância do brincar na primeira infância
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